Oxigênio dissolvido: sonda polarográfica e galvânica
Gerar PDFDuas tecnologias, o mesmo princípio de consumo, e escolhas práticas diferentes
As duas sondas eletroquímicas de oxigênio medem consumindo o analito na superfície do cátodo. A diferença está em quem fornece a energia da reação: na polarográfica, uma fonte externa; na galvânica, a própria diferença de potencial entre os metais. Isso muda tempo de aquecimento, manutenção e vida útil.
Sonda eletroquímica de oxigênio é uma célula fechada por membrana permeável a gás. O oxigênio da amostra atravessa a membrana, alcança o cátodo e é reduzido; a corrente resultante é proporcional à pressão parcial de oxigênio do outro lado da membrana.
Isso traz uma consequência que surpreende quem começa: a sonda consome o oxigênio que mede. Se a amostra estiver parada, ela empobrece na vizinhança da membrana e a leitura cai continuamente. Medição eletroquímica de OD exige movimento relativo entre sonda e amostra, seja por agitação, seja por fluxo.
O que separa as duas
| Polarográfica | Galvânica | |
|---|---|---|
| Energia da reação | fonte externa polariza os eletrodos | par de metais dissimilares gera espontaneamente |
| Tempo até medir | requer aquecimento, tipicamente minutos | pronta assim que conectada |
| Consumo em repouso | só polarizada | contínuo, enquanto houver eletrólito e oxigênio |
| Manutenção | troca de membrana e eletrólito | troca de membrana, eletrólito e, com o tempo, do ânodo consumido |
| Uso típico | medição contínua em processo | medição pontual e campo |
A escolha costuma ser decidida pelo regime de uso. Em processo, com a sonda permanentemente instalada e alimentada, o tempo de polarização deixa de ser inconveniente e a polarográfica compensa. Em campo, ligar e medir sem espera é o que importa, e a galvânica leva vantagem.
Em compensação, a galvânica se consome mesmo sem uso, porque a reação é espontânea. Uma sonda galvânica guardada montada com eletrólito continua gastando o ânodo.
O que a sonda realmente responde
A corrente é proporcional à pressão parcial de oxigênio, não à concentração. É por isso que o resultado nativo dessas sondas é a saturação percentual, e a conversão para mg/L exige temperatura, pressão atmosférica e salinidade, tratadas no verbete de calibração.
Membrana: o componente que define o desempenho
- Membrana mais fina responde mais rápido e consome mais oxigênio, o que aumenta a exigência de agitação.
- Membrana esticada de forma irregular na montagem produz leitura instável e deriva.
- Bolha presa entre membrana e cátodo é causa clássica de leitura errada e alta, porque a sonda passa a medir o ar aprisionado.
- Membrana suja ou com biofilme reduz a passagem e a leitura cai sem que a amostra tenha mudado.
Ao trocar membrana e eletrólito, o conjunto precisa ficar livre de bolhas e a sonda deve estabilizar antes da calibração. Calibrar logo após a montagem é uma das causas mais frequentes de resultado ruim que depois se atribui à sonda.
E a tecnologia óptica
Existe uma terceira via, a luminescente ou óptica, que mede a extinção da luminescência de um material sensível ao oxigênio. Ela não consome o analito, dispensa agitação e não usa eletrólito nem membrana permeável no mesmo sentido. Em contrapartida, tem o elemento sensível como consumível de vida definida e custo inicial maior.
Perguntas frequentes
- Minha leitura de OD cai sozinha com a sonda parada. Está com defeito?
- Provavelmente não. Sonda eletroquímica consome o oxigênio que mede, e sem movimento a região junto à membrana empobrece. Agite a amostra ou use fluxo.
- Qual escolher, polarográfica ou galvânica?
- Pelo regime de uso. Instalação permanente em processo favorece a polarográfica; medição pontual e campo favorecem a galvânica, que mede assim que conecta.
- Por que preciso esperar depois de ligar a polarográfica?
- Porque ela precisa polarizar os eletrodos antes de a corrente refletir só o oxigênio. Medir antes disso dá leitura em deriva.
- A sonda galvânica gasta guardada?
- Sim, porque a reação é espontânea. Guardar montada com eletrólito consome o ânodo mesmo sem uso.
Referências
- SKOOG, D. A.; WEST, D. M.; HOLLER, F. J.; CROUCH, S. R. Fundamentals of Analytical Chemistry. 9. ed. Brooks/Cole, 2014. Cap. 21, Potentiometry.
- BARD, A. J.; FAULKNER, L. R. Electrochemical Methods: Fundamentals and Applications. 2. ed. Wiley, 2001.
- HARRIS, D. C. Quantitative Chemical Analysis. 9. ed. W. H. Freeman, 2016. Cap. 14, Electrodes and Potentiometry.
- MENDHAM, J.; DENNEY, R. C.; BARNES, J. D.; THOMAS, M. J. K. Vogel's Textbook of Quantitative Chemical Analysis. 6. ed. Prentice Hall, 2000.
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